domingo, 8 de novembro de 2009

O PORQUÊ DO USO DA PALAVRA MITO

Trago a todos, as postagens-resposta do amigo Ubirajara Rodrigues, co-autor do livro "A Desconstrução de um Mito", juntamente com Carlos Alberto Reis. Nesse post ele responde sobre a utilização da palavra "Mito" no título da obra:

Pergunta: "Talvez o que silencie tantos "amigos", ou que deixe indignados a muitos seja a utilização da palavra "mito". Essa palavra é densamente utilizada pelos pseudo-céticos que sequer admitem a possibilidade da realidade do fenômeno, remetendo tudo ao imaginário popular. Afinal, o que os autores entendem como mito? E não falo em definição pelo Aurélio, ou Priberam, mas o significado, ou alvo, que tinham em mente ao escolherem essa palavra. Ou o que leva também ao Prof. Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa, a utilizar a mesma definição? "

Ubirajara responde:

Meu caro, obrigado por sua questão. Mito, por óbvio, comporta sentidos diversos, ainda que o termo contenha, também evidentemente, sua categoria própria. Antes de tudo, não é definitivamente apenas a representação da ignorância humana das épocas pré-razão. Mas representa uma realidade obtida pelas possibilidades do próprio instinto, unido ao desejo de racionalizar o que cercava o homem. Ou melhor, que cerca, pois que os mitos não se estinguem. Ao contrário, são a representação viva de como o homem procura inteirar-se com o universo que o cerca. Nem por isto devemos nos esquecer que um mito traz consigo, em seu aspecto mais intrínseco, eu diria em sua essência, uma interação do próprio ser humano com a natureza , com o meio em que vive. E isto é antes de tudo simbólico. Os símbolos são complexos, mas fazem parte do psiquismo, da própria humanidade e assim possuem um fundo difícil de ser atingido. Mas está lá. Isto por si só já demonstra que o que se torna mito é também o significante de algo real, concreto. O grande problema é conhecermos esta pura realidade, ou a chamada verdade real, que é o mesmo que tentarmos atingir a mencionada essência. Como diz Vallée, este fundo ainda inatingido, quanto ao fenômeno UFO, é comparável a uma projeção cinematográfica; enquanto a platéia assiste o filme e se envolve naquela versão da história, ele desejaria subir a escada e observar o que se passa na sala de projeção. Os mitos, por tudo isto, oferecem seus aspectos externos, exteriorizados, encapados por diversos dos estilos de visão humana. Dentre estes, a idéia incondicional de que UFOs sejam "necessariamente" naves extraterrestres. Mas compõe-se, por ser mito, de uma gama muito mais rica de possibilidades e de hipóteses. Dentre estas, aquelas contempladas por inúmeras disciplinas de estudo científico. Se, por um lado, REALMENTE HÁ A POSSIBILIDADE de UFOs serem naves espaciais - e possibilidade não há de ser confundida com probabilidade e muito menos com certeza, advinda de dados e informações concretas, que nos permitam adotar tal hipótese como confirmada - é urgente que a ufologia procure as outras, como puder, dentro de suas condições. O fenômeno, SEM DÚVIDA REAL, precisa com urgência de uma busca dentro das outras hipóteses, e para tanto precisa ser "desencapado" da roupagem definitiva que nós ufólogos lhe demos. Quero dizer, a falta de metodologia, o desejo irrefreado de se lhe dar uma nuance essencialmente místico-esotérica, na maior parte das vezes ao estilo claramente religioso, já marcaram a ufologia nestes 60 anos. E a lugar nenhum chegamos. Portanto, "disco voador" é mito, sob seu aspecto de realidade, de concretude; portanto, imortalizou-se e representa uma visão bela e fascinante das outras possibilidades do universo que nos cerca. Mas é também mito pelas capas que lhe lançaram sem critérios, ou melhor,exclusivamente com o critério da subjetividade e das crenças. Eis nossa proposta, com perdão pela resposta longa - desconstruir, ou seja, fazer uma espécie de estudo anatômico, dissecando o que se tem até hoje, com a finalidade de se extrair algum percentual que inspire as ciências e que demonstre valer a pena o seu estudo, para que o homem, racional e metodicamente, possa dar-lhe maior valor e melhor atenção. Repito, isto é uma PROPOSTA. A proposta de nosso livro, apenas como uma dentre as milhares que, garanto-lhe, começam a ganhar corpo com ufólogos de muito maior competência de que nós, autores do livro, em várias partes do mundo. E, em assim sendo, é o mundo dos ufólogos, que precisa ser reavaliado.

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